A Visualização dos Anexos
Frequentemente nos deparamos com esta citação: “Visualização dos Anexos”. Diariamente rechaçamos alguns “anexos”. São perigosos... podem conter vírus. Muitas vezes, bloqueamos mensagens que contém anexos não autorizados preliminarmente... E, passo a passo, inserimos a “paranóia” da internet em nossas vidas. Enchemos nosso computador de “Anti-vírus”. Vivemos, e convivemos, com o “medo” do ataque iminente.
Embora não queiramos, somos impelidos a agir assim em nossas relações. “Hábito leva ao hábito”. E, “como toda acção provoca uma reacção”, reagimos como máquinas quando nos enfrentamos com uma situação de “perigosa entrega” ao outro.
Será que alguma vez paramos para pensar nos “anexos” que o nosso próximo carrega consigo? ... Não nos permitimos tal façanha! A visualização desta parte do outro, pode trazer consigo, perigosos vírus que corroem nosso “eu-pensante”, nosso “eu-defesa”. Vírus que, talvez, tenham o poder de detectar nossas fraquezas e nos colocar em desvantagem numa relação.
Munidos, pois, de “anti-intimidade” e “anti-sinceridade”, nos dirigimos ao mundo dos relacionamentos. Não aceitamos os “anexos” e não desvendamos nossos “arquivos ocultos”. São muito desconfortáveis para a nossa clara posição de defesa contra o outro. E, assim, buscamos aquela união “...que seja eterna enquanto dure” (segundo o nosso poeta Vinícius de Moraes). Que seja eterna, enquanto não tenhamos que participar da intimidade real, numa doação do nosso eu e do nosso tempo, tão necessária para que exista um conhecimento verdadeiro e um relacionamento estável e duradouro.
Somos os “paranóicos” da actualidade, levando os nossos “anti-vírus” às últimas consequências, defendendo-nos dos ataques imaginários (ou não..!) daqueles que connosco convivem.
É impressionante como a informática – com sua tecnologia, programas e perigos – delineia o ser humano em sua estrutura total. Na sua materialidade intrínseca, explode uma humanidade tão veemente, que nos faz agir de acordo com as linhas que percorre no acidentado caminho da evolução.
Somos sempre “pessoas”... mas hoje, como nunca, tememos aqueles com quem nos relacionamos e agimos de forma que não prejudiquem o nosso “sistema” de vida... colocado ao serviço de nossas defesas. Defesas que nos isolam e nos impedem de vermos o outro como realmente é... e nos afastam da possibilidade de sermos nós mesmos e nos vermos como realmente somos.
Seguimos, então, no ato de bloquear qualquer “anexo” que possa ser prejudicial a nossa forma de ver a vida e de agir, no dia-a-dia. Afinal, “anti-vírus” são benéficos... e os “hackers” existem por aí...!
Miriam da Rosa Goularte



