Inquietude

Somos seres “humanos”... Certo! (Certo?)

Será que sempre somos humanos? Ou somos apenas aquilo que as nossas duras experiências nos acrescentaram, no decorrer dos meses, anos... na realidade, no decorrer da vida?

Nas caminhadas que fiz, durante curto espaço de tempo, verifiquei que nós, os famosos “seres humanos”, não passamos de individualistas e atores com Vou voltar a olhar para dentro do ser humano: sentimo-nos incompletos, querendo sempre algo mais... alguma coisa que preencha este vazio desgastante que se insere em nosso íntimo. Somos seres em constante mutação, largando todas as coisas já vencidas e construídas, porque deixaram de ser objetivos...deixaram de ser desafios. Perdemos, então, o interesse e seguimos na tentativa de aperfeiçoamento. Vamos à luta, novamente.

Somos inquietos por natureza. Almejamos alcançar, na superficialidade da busca exterior, a profundidade do encontro interior. Talvez tenhamos sido criados incompletos, para que pudéssemos construir. Porque, se buscamos, estamos ampliando horizontes, acrescentando algo novo e concreto a nossa vida e à comunidade global à qual pertencemos. Estamos sempre pesquisando, planejando, construindo e avançando.

Mas falta-nos algo mais... alguma coisa que nos deixa perplexos, enquanto o tempo passa... olhamos para trás e vemos que ainda não conseguimos alcançar aquilo que nos completaria...

O que será, então?

Alguns, sem querer pensar em si mesmos, correm de qualquer jeito atrás do “ter”, do “poder”... e, por incrível que pareça, sempre é pouco! Vã tentativa. Outros, deslumbrados com o hedonismo presente no mundo, entregam-se a um prazer desenfreado – sexo, drogas, prostituição mental, etc.- descendo rapidamente a um patamar inaceitável de qualidade de vida. Outros, criados para serem “cultos e inteligentes”, baixam a cabeça sobre os livros e passam de Universidade em Universidade, de especialização em especialização, acrescentando títulos que nada lhes satisfazem. Apenas os empurram a uma maior dedicação aos estudos. E, assim, sucessivamente, encontramos vários tipos de procura.

Segundo S. Tomás de Aquino, em sua “Síntese Tomista”, nada queremos, nada desejamos, se não tivermos tido conhecimento de sua existência... Então, já tivemos, de alguma forma, o conhecimento desta plenitude tão ardentemente procurada. Com certeza, já fomos completos (ou somos, e não sabemos) e queremos reencontrar a complexa (ou simples) satisfação pessoal.

Como encontraríamos? Deixo o encargo de suposições ao leitor... nunca esquecendo que não somos feitos apenas de carne e osso, que nossa inteligência, vontade, nossos pensamentos e sentimentos são abstratos. E que, além do universo material existe alguma coisa mais profunda que nos falta. Faz-nos sair em busca do que já temos conhecimento da existência... mas não sabemos onde está. Tateamos, como cegos, chocando-nos contra as barreiras dos sentidos que, além de nos causarem dores incompreensíveis, aguçam nosso lado de exploradores do desconhecido mundo material.

E lá vamos nós, criaturas, negando-nos o verdadeiro passo que nos dará a chave para a descoberta. Perdidos, mas sem acreditarmos no fato da perda. Teimosos, mas sem aceitarmos a simplicidade da resposta. Durões, sem confessarmos as lágrimas já derramadas no ontem.

“Criaturas” deste mundo... em busca de um “mundo melhor”. Sempre “em busca”...!

Miriam da Rosa Goularte