A Incerteza

Somos seres “humanos”... Certo! (Certo?)

Será que sempre somos humanos? Ou somos apenas aquilo que as nossas duras experiências nos acrescentaram, no decorrer dos meses, anos... na realidade, no decorrer da vida?

Nas caminhadas que fiz, durante curto espaço de tempo, verifiquei que nós, os famosos “seres humanos”, não passamos de individualistas e atores com pós-graduação em ajuda humanitária... o quanto mais nos fizemos “amar”, o quanto mais somos admirados, o quanto mais galgamos os degraus para um status elevado perante o outro, mais nos corroemos na busca de preencher o íntimo vazio...

Sim... somos vazios... vazios de sentimentos, vazios de crescimento, vazios de sinceridade nos relacionamentos aos quais declaramos reais. E, neste caos sentimental, não somos capazes de perceber a intensidade da antagonização que jogamos ao ar... que, nesta jogada, atingimos uma comunidade que nem imaginamos existir... pq ela está longe... longe do alcance de nossa visão limitada pelo físico. Mas, muito mais limitada pela nossa insuficiência de percepção humanitária/espiritual.

É de uma clareza sem fim, a palavra “humano”... mas é de uma incerteza maior ainda, o que encontramos em cada um destes humanos... Sei que neste universo pessoal , cada um de nós daria razões para suas atitudes anti-humanas... seríamos como os políticos? Construindo plataformas sobre as nossas razões íntimas? E, estas razões, seriam os nossos ideais? E, nossos ideais, estariam isentos de nossas razões?

Com certeza, enganamos a todos... inclusive a nós mesmos, haja vista que nesta forma de agir, acabamos nos perdendo e não sabendo mais onde estamos e o que queremos... Sabemos..., mas apenas por minutos... enquanto o que queremos nos interessa, enquanto o que queremos está a nosso alcance (ou é um desafio para a nossa capacidade de sobrepujar ao outro). E neste consumismo de pessoas, tateamos em busca do relacionamento pseudo-perfeito... Aquele que nos coloca como perfeitos, aquele que nos coloca como os “amados”... Egocentricamente, levamos as palavras até a extinção total de suas qualidades e beleza.

Agora, pergunto, não como profissional, mas como coadjuvante deste teatro... seriamos, nós, diferentes, sem estas parafernálias de tecnologia que colocam ao nosso alcance? Seríamos mais humanos, no sentido pleno da palavra, se não precisássemos dedilhar as teclas de um computador para falarmos com o outro? Seríamos mais plenamente satisfeitos se tivéssemos que “passear na praça” e entre olhares e músicas tocadas por bandinhas, de repente, cruzássemos com alguém que , a seguir, tivéssemos um relacionamento de amizade, amoroso ou fraterno? Seríamos mais “nós”? Conseguiríamos ser verdadeiros e sinceros, eliminando toda a espécie de defesa adquirida pelos novos desafios impostos pela evolução?

Perguntas sem respostas, ou respostas que não nos agradariam tomar consciência. Não nos permitimos filosofar a respeito da evolução... nela vivemos, dela precisamos e dela dependemos para ganharmos o nosso pão... ah, e não esquecendo das horas de lazer... dependentes, cada vez mais, da tecnologia avançada que colocam a nossa disposição. Mesmo que, para isto, esqueçamos que existem pessoas ao nosso redor, que, muito mais do que para serem felizes, necessitam do nosso olhar, nossas palavras (afinal, de nosso ser mais puro, sem instrumentos materiais), para se sentirem, realmente humanas.

Esta é uma incerteza existencial... nunca saberemos...!

Miriam da Rosa Goularte